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“Mãe, você não precisa mais saber sobre isso” – uma pequena crônica para pais de adolescentes

  • Foto do escritor: Mariana
    Mariana
  • 13 de fev.
  • 2 min de leitura

Era uma vez um guri que entrava na adolescência. Era uma vez uma mãe que fazia parte de grupo de whatsapp da turma do filho. O guri já tinha dado alguns perrengues típicos da fase, mas demonstrava responsabilidade com os estudos. A mãe era preocupada com o desempenho escolar. Estava com o coração quase tranquilo em relação aos estudos do filho. Quase, porque mãe que se preze não está 100% dada por satisfeita!


Então ela viu uma mensagem no grupo de pais que alertava sobre uma lição a ser feita em casa naquele dia. Logo questionou o filho: tu já fez a página 33 de matemática? Sim mãe, eu acabei tudo em aula, respondeu surpreso com a pergunta e, tranquilo, acrescentou: mãe, você não precisa mais saber sobre isso! – referindo-se aos temas de casa.

A mãe experimentou uma mistura de sentimentos, o que não chega a ser uma novidade na maternidade! Por um lado, a sensação de alívio: Ufa! Menos uma coisa para eu me preocupar, está crescendo!  Mas por outro...será mesmo?


A entrada na adolescência é mesmo um tempo único. Eles começam a se sentir extremamente vigiados: “Por que meus pais precisam saber de tudo?”, “Por que não confiam em mim?” Mas também reivindicam atenção exclusiva em alguns momentos, queixam-se se os pais deixam as coisas muito soltas e com frequência angustiam-se frente as muitas pequenas escolhas da vida precisando de apoio para fazê-las.


Do lado do pai e da mãe não é menos difícil. Até onde estar e quando se retirar? Quais liberdades já podem ser confiadas? Dá para se deslocar sozinho na cidade? E nas redes sociais? Vai resolver isso sozinho na escola ou preciso ligar para a coordenação? Já dá conta das questões escolares sozinho?


Fato é que para deixar crescer é preciso apostar e dar espaço. Assim como fizemos ao ensinar a andar de bicicleta anos atrás: tiramos as rodinhas e seguramos no selim no momento em que apostamos que já seriam capazes de se equilibrar em duas rodas. Estavam prontos, mas precisavam de um empurrãozinho em forma de aposta. Às vezes não se tira as rodinhas de primeira, é preciso voltar atrás. Esperar mais um tempo e tentar de novo.


A medida em que crescem os filhos, é preciso que se reinventem os pais e as mães. Reinvenção que exige tempo, escuta, cuidado. Há beleza em ir se tornando dispensável! Não em tudo, talvez nunca de uma vez por todas, no sentido de um laço amoroso que na melhor das hipóteses será esteio para uma vida adulta bacana.  


Certo é que o processo não se dá sem movimento - e de um tanto de sofrimento - de ambos os lados!

 
 
 

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