Tartarugas marinhas seguem em frente
- Mariana

- 28 de jan.
- 2 min de leitura
Uma cena: tartarugas marinhas recém nascidas saem dos ninhos e caminham determinadas em direção ao mar. São pequenininhas e muito engraçadinhas.
É impressionante observá-las. A espuma da onda, que para elas deve parecer um tsunami, faz com que rolem, se desgovernem, voltem para traz os poucos centímetros avançados.
Determinadas, as instintivas tartaruguinhas se reposicionam e seguem tentando adentrar naquela imensidão azul. Elas não desistem, não mudam de direção, não se deixam abalar, só seguem e fazem o que é preciso ser feito. Até que conseguem e as perdemos de vista. Dizem que de cem, apenas uma chegará a vida adulta, mas isso elas nem sabem!
Uma reflexão : Há pouco escrevi sobre o ato de desistir, sobre o quão importante é ter nessa escolha - a de desistir - uma possibilidade fecunda. Mudar a rota, voltar atrás…nos relacionamentos, no trabalho, nas escolhas da vida, enfim.
Agora a cena da tartaruguinha me fez refletir que outras vezes na vida só temos que seguir em frente. Como o poeta que diz ao caminhante que o caminho só se faz ao andar*.
As dúvidas, as incertezas, talvez não digam respeito a uma necessária mudança de rota. A dificuldade da tartaruguinha entrar na água faz parte do processo e, como ela, talvez a gente só precise seguir em frente e fazer como diz a música “reconhece a queda e não desanima, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!”**
***
*Do poema "Provérbio s Cantares" do poeta espanhol Antonio Machado. Uma parte desse lindo poema diz assim:
Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais;
caminhante, não há caminho,
se faz o caminho ao caminhar
Ao caminhar se faz o caminho
e ao voltar a vista atrás
se vê a senda que nunca
se há de voltar a pisar
Caminhante não há caminho
não há marcas no mar…
**Um clássico do samba "Volta por cima", composto por Paulo Vanzolini, famoso na interpretação de Beth Carvalho


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